sexta-feira, 2 de março de 2012


Marina Vidigal

Confie na escola

Parece óbvio, mas nem sempre acontece. É o primeiro passo para que a criança também se sinta segura no novo local. “É como se a mãe autorizasse alguém a cuidar do filho dela, e é nessa autorização que o processo de adaptação da família começa a dar certo”, afirma Liamara Montagner, coordenadora de educação infantil. Para que haja confiança, por sua vez, é importante que a escolha da escola tenha sido bem trabalhada. Quando é indicação de amigos ou familiares, fica fácil. Para quem não tem tais referências, esse vínculo se estabelece na medida em que os pais conhecem e se identificam com os princípios que norteiam o projeto pedagógico e a concepção de aprendizagem. E, naturalmente, precisam acreditar nesses valores éticos e morais estabelecidos pela escola. 

Converse sempre com a equipe pedagógica 
Não só as crianças, mas também os pais têm de ser assistidos no processo de adaptação. Esclarecendo dúvidas e conversando sobre eventuais incômodos, angústias e insatisfações com coordenadores e professores, os pais adquirem intimidade com a escola e se sentem mais confortáveis em relação a ela.
 

Aproveite a troca entre pais 
O processo de adaptação é uma oportunidade de os pais se conhecerem, interagirem e compartilharem sentimentos. Nas conversas, descobrem que as crianças são muito semelhantes entre si e que eles, por sua vez, estão passando pelas mesmas angústias. Ao mesmo tempo, vão criando um vínculo no ambiente escolar. “Mães e pais que têm filhos mais velhos na escola exercem um papel importante nessa hora, pois passam segurança para os que estão sendo recebidos pela primeira vez”, diz a psicopedagoga Edimara de Lima, diretora de escola.
 

Lembre-se de que conquistas requerem esforços 
“Existe uma tendência de os pais quererem superproteger os filhos, evitando ao máximo que sofram. Mas é importante lembrar que o ingresso na escola e as primeiras separações da mãe ou de casa fazem parte do processo de crescimento da criança”, afirma Paula Bacchi, orientadora de escola infantil. Ela acrescenta que os pais devem ter em mente que certas conquistas vêm acompanhadas de dificuldades. Representam também um amadurecimento da criança, e a escola é um excelente ambiente para isso acontecer.
 

Atente para o tom da separação 
Despedidas dramáticas, duradouras e carregadas de emoção são um prato cheio para dificultar a entrada das crianças na escola. Independentemente do comportamento delas, os pais devem procurar dar um tom leve e até mesmo prático às despedidas. Duro, né? Mas é fundamental para que a criança perceba que não existe a opção de um choro segurar o pai ou a mãe na escola por mais tempo.
 

Preserve a rotina da criança em casa 
Não é hora de mudanças de cama, de quarto, retirada de fraldas, chupeta, mamadeira e coisas do gênero.
 

Adapte-se aos horários e tenha assiduidade 
“Nos primeiros dias, a pontualidade na hora de buscar é crucial. Um atraso pode deixar a criança insegura, com medo de que a mãe não volte, e dificultar a despedida e a permanência nos dias seguintes”, diz Edimara de Lima, diretora pedagógica. Mesma pontualidade no início do dia também para que a criança inicie as atividades com o grupo. Evite faltas, para que a criança se insira logo na rotina escolar.
 

Tenha cuidado com o que diz – e com o que não diz 
Algumas armações, por mais inofensivas que possam parecer, costumam atrapalhar significativamente o processo de adaptação da criança. Na despedida, por exemplo, frases como “você vai ficar bem, não é?” ou “você não vai chorar, vai?” acabam sugerindo à criança que tenha comportamentos desse tipo. Criar expectativas exageradas, dizendo à criança que ela vai adorar, que a escola é maravilhosa, que as professoras são fantásticas etc., também pode ser prejudicial, pois pode gerar decepções para o pequeno. Por fim, nunca minta para seu filho (dizendo que vai para um lugar caso vá para outro) e, por mais que ele esteja brincando bem e tranqüilo, nunca vá embora sem se despedir. Isso quebra a relação de confiança com a mãe e pode gerar na criança o medo de ser abandonada naquele lugar estranho.
 

Choros são normais 
O choro não significa que a criança não está gostando da escola. É uma maneira de ela dizer que é difícil se despedir da mãe. Paula Bacchi, diretora de colégio, acrescenta que é comum esse choro terminar assim que as mães viram as costas. Se o lamento se prolongar, vale investigar, claro. Ah, sim, tem muita mãe que também não agüenta as lágrimas. Mas tem de, pelo menos, não deixar a criança ver.
 

Não demonstre ter dúvidas 
Comentários negativos em relação à escola nunca devem ser feitos diante delas. Se a criança perceber a insegurança da mãe, pode tomar o sentimento para si ou ainda se aproveitar da situação e recorrer a chantagens emocionais.
 

Tenha paciência 
A maioria das crianças leva uma ou duas semanas para se adaptar à escola. Há algumas que levam dias e outras, meses. Isso não quer dizer que as de adaptação mais lenta vão gostar menos da escola. Significa apenas que precisam de um pouco mais de tempo. Resta respeitar o ritmo da criança.
 

Afaste-se por um tempo dos relacionamentos antigos 
No caso de crianças que estão mudando de escola, convém, durante o período de adaptação, não incentivar o contato freqüente com amigos da escola antiga. Depois de a adaptação estar bem sucedida, o contato pode voltar a ser como era, mas, no início, é bom dar a chance para o pequeno receber o novo ambiente com certo afastamento da vivência anterior.
 

Sem culpas ou cobranças 
Especialmente entre mães que colocam as crianças cedo na escola por motivos profissionais, a culpa é muito comum. “Mãe trabalhando em período integral é a realidade de muitas famílias, e a criança terá de conviver com isso. Não é um mal, mas um componente da família, que gera satisfação pessoal para a mãe ou, no mínimo, um aumento da renda familiar”, diz a psicopedagoga Edimara de Lima. Por isso, não é caso de se cobrar em relação às dificuldades próprias ou dos filhos.
 

Respeite as orientações 
“É fundamental que os acompanhantes das crianças na adaptação atendam às solicitações passadas pelas professoras e pela coordenação da escola”, diz Liamara Montagner. E nos detalhes. Respeite a experiência da equipe no assunto.
 

Está tudo bem. Mas acabou? 
Um belo dia, a criança chega feliz à escola, despede-se dos pais, fica bem durante todo o período e volta para casa lembrando as coisas boas vividas no dia. A adaptação está concluída? Talvez. É possível que seu filho, que ficou ótimo na primeira semana de aulas, apresente dificuldades na semana seguinte. Outra criança pode apresentar problemas dali a 15 dias ou um mês. Segundas-feiras, voltas de feriados e especialmente de férias também são momentos delicados, em que choros e reclamações nas despedidas podem voltar a aparecer. O importante, então, é os pais, como sempre, conversarem com a escola, que vai atentar também para eventuais jogos emocionais feitos pela criança. Satisfeitos com a escola escolhida, acreditem que é o lugar onde tudo acontece pelo bom desenvolvimento e bem-estar da criança. Boa sorte!

Comunicado

Comunicamos que:
 dia 29 de fevereiro , quarta-feirta ,às 19 horas , haverá Reunião de Pais .

    De acordo com o Estatuto da Criança e do
Adolescente é , também , obrigação dos responsáveis, ou seja , dos pais , acompanhar a vida escolar de seus filhos .
    A reunião será para tratarmos de assuntos relacionados a vida escolar de seu(sua)  filho(a).

“ A família é a referência afetiva e intelectual imprescindível aos filhos , daí a importância de sua presença na reunião “

    Aguardamos vocês !!!
              
                 Equipe da EM “Décio Monzoni Lang “

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


A tal “semana de adaptação
Marcelo Tas


Todo início de ano acontece algo absolutamente revelador da relação entre filhos e pais: a tal “semana de adaptação”. Escolas investem tempo em táticas sofisticadas, muitas vezes uma verdadeira operação de guerra, para adaptar as crianças a ficar algumas horas do dia longe de seus pais.
Para quem colocou o pequenino numa creche, por exemplo, é a hora de enfrentar na prática o fato de que o mundo é maior que a bolha de segurança onde o “projeto de gente” vivia até então. Eu já passei por isso e garanto: não há dor maior que encontrar a primeira mordida de um “amiguinho” no nosso anjinho. É uma punhalada no coração.
Esse ritual de iniciação – a tal “semana de adaptação” – surge na minha mente enquanto assisto a um documentário sobre a vida selvagem na TV do hotel. Quando viajo a trabalho, quartos de hotel funcionam como cápsulas para experiências inusitadas. Quando, na minha rotina de São Paulo, teria a oportunidade de ver um documentário inteiro sobre a vida dos gnus?
O gnu – cientificamente conhecido como Connochaetes taurinus – é um bicho feio e baixinho. Tem corpo de jumento, pernas de antílope e cabeça de vaca zebu. Crina despenteada e barba rala de bode completam o animal desajeitado que, para compensar, é extremamente educado e pacífico. Os gnus vivem no sul da África, são vegetarianos e estão na base da cadeia alimentar. Ou seja, frequentemente viram banquete de leões, leopardos ou hienas. Aliás, para quem ainda não ligou o nome à pessoa, os gnus são aqueles bichos que protagonizam a famosa sequência do desenho animado O Rei Leão: o estouro da manada que, perseguida por um feroz ataque de hienas, coloca em risco a vida do pequeno Simba.
Eis a grande virtude dos gnus: eles têm espírito comunitário. Aprenderam na luta pela sobrevivência que não há salvação individual. Para se defenderem, vivem em grupos de, no mínimo, 20 indivíduos. Nos grandes deslocamentos em busca de comida, podem chegar a uma multidão de 2 mil cabeças. Como em O Rei Leão. Se um gnu adulto já é presa fácil, imagina um gnu bebê. Por isso, ao nascer, a “semana de adaptação” do gnuzinho ao cruel mundo selvagem tem que ser rápida e certeira. Mesmo na TV, é tocante ver o parto de um gnu. A mãe o faz de pé! O bebê escorrega, cai no chão, mal sente o solo e já tenta sair andando. Ainda todo melado com os líquidos uterinos, o filhote cai várias vezes em tentativas desastradas em busca do primeiro passo.
Aí entra em ação a sabedoria da mamãe gnu. Com firmeza e suavidade, ela estimula o esforço do filhote com o focinho. A senhora gnu parece saber tudo sobre a preciosa diferença entre tensão e atenção. Em vez de atuar de forma exagerada diante do filhote desajeitado, ela se limita a apoiá-lo dando cutucadas firmes e jatos de ar quente que saem de seu narigão. No superclose da TV, seu olhar parece dizer: “Mamãe tá aqui. Só que… aprender a andar sozinho é com você, pequeno monstro!”. Cinco minutos depois do parto, o filhote já caminha com suas próprias pernas e mama no peito da mãe. Em dois meses é capaz de correr pela savana junto com os adultos.
Clarice, minha filha menor, vai entrar no primeiro ano do fundamental. Vou sugerir a exibição do documentário sobre os gnus na tal “semana de adaptação” dela. Tenho certeza que, quem tem mais a aprender com os gnus sobre “adaptação” somos nós, os pais. Bom ano de estudos e aprendizado a todos.


MARCELO TAS é jornalista e comunicador de TV. Tem três filhos: Clarice, 6 anos, Miguel, 10, e Luiza, 22. É âncora do “CQC” e autor do Blog do Tas. Aceita com gratidão críticas e sugestões sobre essa coluna no e-mail: crescer@marcelotas.com.br  

**Sugestão da professora Vanessa Garcia ***